quinta-feira, 28 de março de 2013

Vizinhos da Dilma



Quarta-feira, 27 de março

Internet

Ainda sem internet na casa nova. Esta estada em Porto Alegre me ensinou uma coisa. É muito diferente mudar-se para uma casa já pronta e equipada e mudar para uma em fase de construção (mesmo que seja só na fase de acabamento). Os pequenos detalhes que precisam ser ajustados, como a rede de água quente que não tem pressão, a ligação de luz que a concessionária não vem ligar (a casa está com uma ligação provisória), as luminárias que ainda não foram instaladas, o chão que precisa de uma limpeza pesada, os interruptores que não funcionam, o controle remoto da TV que foi perdido na mudança, as telhas que foram quebradas pelo pessoal da construção, as calhas que estão vazando e por aí vamos.

Nem mesmo o fato de sermos quase vizinhos da presidente Dilma Rousseff (a casa dela fica a uns 200 metros daqui) serve de consolo. Os vizinhos até acham um incômodo quando ela aparece por aqui, tal a agitação de repórteres, fotógrafos e assemelhados que rondam por aí.

Ingá

No terreno da casa há um pé de ingá. Muitos gaúchos não conhecem o ingá (alguns chamam de angá) e eu estive contando para alguns operários da construção e para os profissionais do acabamento algumas histórias sobre o ingá, que é uma frutinha comestível que dá em vagens como o feijão (come-se apenas o envoltório dos grãos), muito apreciada por algumas espécies de passarinhos. Falei, por exemplo, da história de Maringá, uma cidade cujo nome tem íntima relação com o ingazeiro.

Repito: lá pelos idos da década de 40 do século passado, o nome Maringá foi cunhado pelo médico Joubert de Carvalho, já falecido, autor da música Maringá, nome que é, por sua vez, uma contração de Maria do Ingá. Essa Maria do Ingá seria uma moça do sertão nordestino que partiu em busca de uma vida melhor, fugindo da seca inclemente que assola (ainda hoje) o interior do Nordeste. Como um caboclo protagonista da música nutria, supostamente, uma paixão pela Maria do Ingá, aparece na letra lamentando a sua partida, cantando:

Maringá, Maringá

Volta aqui pro meu sertão

Pra de novo o coração

De um caboclo assussegá.

Antigamente, uma alegria sem igual

Dominava aquela gente

Da cidade de Pombal

Mas veio a seca

Toda a chuva foi s’imbora

Só restando intão as águas

Dos meus olhos quando choram.

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