Quarta-feira, 27 de
março
Internet
Ainda sem internet na casa nova. Esta estada em
Porto Alegre me ensinou uma coisa. É muito diferente mudar-se para uma casa já
pronta e equipada e mudar para uma em fase de construção (mesmo que seja só na
fase de acabamento). Os pequenos detalhes que precisam ser ajustados, como a
rede de água quente que não tem pressão, a ligação de luz que a concessionária
não vem ligar (a casa está com uma ligação provisória), as luminárias que ainda
não foram instaladas, o chão que precisa de uma limpeza pesada, os
interruptores que não funcionam, o controle remoto da TV que foi perdido na
mudança, as telhas que foram quebradas pelo pessoal da construção, as calhas
que estão vazando e por aí vamos.
Nem mesmo o fato de sermos quase vizinhos da presidente
Dilma Rousseff (a casa dela fica a uns 200 metros daqui) serve de consolo. Os
vizinhos até acham um incômodo quando ela aparece por aqui, tal a agitação de
repórteres, fotógrafos e assemelhados que rondam por aí.
Ingá
No terreno da casa há um pé de ingá. Muitos
gaúchos não conhecem o ingá (alguns chamam de angá) e eu estive contando para alguns operários da construção e
para os profissionais do acabamento algumas histórias sobre o ingá, que é uma
frutinha comestível que dá em vagens como o feijão (come-se apenas o envoltório
dos grãos), muito apreciada por algumas espécies de passarinhos. Falei, por
exemplo, da história de Maringá, uma cidade cujo nome tem íntima relação com o
ingazeiro.
Repito: lá pelos idos da década de 40 do século
passado, o nome Maringá foi cunhado pelo médico Joubert de Carvalho, já
falecido, autor da música Maringá,
nome que é, por sua vez, uma contração de Maria do Ingá. Essa Maria do Ingá
seria uma moça do sertão nordestino que partiu em busca de uma vida melhor,
fugindo da seca inclemente que assola (ainda hoje) o interior do Nordeste. Como
um caboclo protagonista da música nutria, supostamente, uma paixão pela Maria
do Ingá, aparece na letra lamentando a sua partida, cantando:
Maringá, Maringá
Volta aqui pro meu sertão
Pra de novo o coração
De um caboclo assussegá.
Antigamente, uma alegria sem igual
Dominava aquela gente
Da cidade de Pombal
Mas veio a seca
Toda a chuva foi s’imbora
Só restando intão as águas
Dos meus olhos quando choram.
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