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sexta-feira, 22 de março de 2013

Roma e o Papa



Sexta-feira, 22 de março
Diárias
Continua repercutindo (negativamente) a notícia dos gastos exorbitantes da comitiva brasileira que foia Roma para a cerimônia inicial da gestão do Papa Francisco à frente da Igreja Católica Romana.
Segundo se divulgou (e não foi desmentido), a comitiva brasileira ocupou nada menos que 52 aposentos num dos hotéis mais luxuosos da Capital italiana, onde uma diária chega a cerca de R$ 7.000,00. Só no hotel a despesa chega a perto de 2 milhões de reais. Isso mesmo, dois milhões do nosso suado realzinho. Além do hotel, a comitiva usou dezessete automóveis.
E ainda dizem que o governo brasileiro gasta mal o dinheiro dos impostos!
Papa in Rio (II)
Independentemente do esbanjamento oficial na Capital italiana, seguem os preparativos para a visita do Papa Francisco ao Rio de Janeiro no próximo mês de julho. Além das visitas já noticiadas ontem neste blog, há mais alguns compromissos em fase de agendamento.
No dia 28, um domingo, o Papa deverá visitar a praia de Copacabana, onde tomará água de coco gelado (o coco). Depois de consumir a água, o Papa autografará o que restar do coco, que assim será leiloado, juntamente com o canudinho, em benefício das obras assistenciais na favela do Alemão. Não se sabe ainda se o Vaticano vai aceitar, mas a ideia é que o pontífice vá à praia de bermudas e camiseta do Flamengo. Além disso vai abençoar as águas do mar copacabanal, para que o Rio de Janeiro possa se orgulhar de ser a única cidade do mundo banhada por água benta.
Ainda no mesmo dia, o Papa deverá participar do programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, onde será domitinado (se fosse no sábado seria sabatinado) pelo apresentador Fausto Silva e será jurado numa das fases da competição A Dança dos Famosos.
O problema todo está com os organizadores da Jornada Mundial da Juventude, que estão dispostos a estragar a festa. Demonstrando que são mesmo uns estraga-prazeres (pra dizer o mínimo), eles alegam que esses compromissos do Papa vão atrapalhar a programação do encontro dos jovens.

quarta-feira, 20 de março de 2013

O trabalhador paga



Quarta-feira, 20 de março

Meia passagem

Aqui em Porto Alegre, um movimento pela incidência de meia passagem para estudantes no transporte coletivo urbano está causando rebuliço. Se a medida for aprovada pela Câmara de Vereadores, os maiores penalizados serão os trabalhadores, por certo.

É que a diferença a menor a ser arrecadada pelas empresas de ônibus será repassada para o preço das passagens convencionais, a serem pagas pela população em geral, isto é, para os mais pobres.

Por seu turno, os estudantes nem sempre fazem parte da parcela mais carente da população.
Presidente e papa 
Ocorreu hoje o encontro da Presidente Dilma Roussef com o Papa Francisco. Vamos ver as repercussões, nos noticiários e nas gazetas de amanhã.

segunda-feira, 18 de março de 2013

Politicamente correto



Segunda-feira, 18 de março

Deficiente

Dorinha ganhou um tablet de presente. Tablet infantil, esclareça-se. Tem joguinhos, brincadeiras com letras e números, essas coisinhas. Dorinha não sabia lidar com o aparelho, pediu a ajuda do avô (eu, no caso). Mas eu também não entendo nada de tablet e tentei explicar isso para a Dorinha.

- O vovô não sabe mexer com essas coisas, Dora . . . o vovô é burro!

- Burro, você, vovô?

Para amenizar as coisas e não manchar muito a imagem de avô:

- Tá bem, Dora. Então vamos no politicamente correto. Digamos que o vovô é tecnologicamente deficiente . . .

Coalizões

A presidente Dilma empossou três novos ministros no sábado. Descontado um caso motivado por problemas de saúde, a troca foi claramente motivada pelas idiossincrasias típicas dos meandros da política partidária brasileira, popularmente conhecida por politicalha.

No discurso que fez, a presidente usou várias vezes o termo coalizão, a título de justificativa para a troca dos auxiliares.
Não podemos esquecer que a formação de quadrilha também é uma espécie de coalizão.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Politicalha




Quinta-feira, 14 de março

De volta 
Novamente em Sanchico. Chegamos hoje, viajando de carro, pela manhã. Ontem, quando saiu a notícia da eleição do Papa, eu estava no hospital esperando atendimento para uma revisão médica. Aliás, um hospital não deixa de ser um local apropriado para aquele momento. Quem sabe poderia ser um brasileiro?

Ontem à noite e ainda hoje pela manhã todos os noticiários abordando a mesma e redundante questão: o Papa eleito. Papa Francisco. Papa Chico. Devo confessar uma coisa: nunca vi tantos argentinos rezando. É codiloco! Quem sabe, agora, recuperam até as Ilhas Malvinas. Sacumé, né? Pode ser que o Papa Chico tenha mais trânsito com o pessoal lá de cima . . .

Famílias carentes

Bom, vamos deixa o Papa – e as respectivas e indefectíveis piadinhas – pra lá e falar de coisas mais mundanas. É bom esclarecer: quando uso o termo mundano (pelo menos aqui) não estou proferindo nenhum palavrão. Apenas quero me referir às coisas do mundo material, em contraposição com as coisas espirituais. Vamolá:

Eu fiquei positivamente impressionado com uma prática adotada por uma escola maternal de Curitiba, onde estuda a Maria Luíza, uma das minhas sobrinhas-netas. Nessa escola cada turma elege uma família carente que “adota” durante um ano inteiro. Os alunos da turma (crianças em idade pré-escolar) visitam a família escolhida todos os meses e levam alimentos (que são arrecadados junto aos pais e parentes), brinquedos (se houver crianças) e, principalmente, carinho. Achei a experiência fantástica.

Não pelo resultado em si, que pode mesmo ser irrisório, mas pela consciência que desperta nos pequenos. Desde cedo são colocados diante de uma realidade que é isso mesmo: a dura realidade da vida. Aprendem que nem tudo são flores, que existem pessoas pobres, crianças carentes. E aprendem, sobretudo, que é necessário oferecer um pouco de atenção e amor para essas pessoas.

Excelente medida. Devia ser adotada por outras escolas.

Politicalha

Em Curitiba, nesses dias em que lá estive, a briga generalizada era por causa do preço das passagens dos ônibus do transporte coletivo. Durante anos o governo do Estado subsidiou as passagens que, por isso mesmo, estavam sempre num patamar baixo em comparação com outras capitais brasileiras. Acontece que, de repente, o governo estadual retirou o subsídio. E a Prefeitura ficou com o pepino na mão, precisando reajustar preços num nível muito acima do esperado pela população.

Não quero entrar no mérito do subsídio estadual, mas já vou declarando que também sou contra. Afinal, não compete ao governo, principalmente ao estadual, despender verbas para a população de um município só, seja esse município a Capital ou outro qualquer. É o mesmo que prejudicar todos os outros. O que precisa ser discutido (e repensado) é a politicagem do clientelismo. Acontece que, nos anos anteriores, o prefeito de Curitiba era do mesmo partido que o do governador. Tudo jóia, o Estado ajudava o quanto podia. Mas nas eleições do ano passado o prefeito eleito foi o da oposição. Oposição também ao governador. Resultado: acabou a mamata.

É mais um exemplo da sujeira em que se transformou a política brasileira. O interesse do povo não tem mais vez, os cidadãos não contam, ou contam só quando é hora de votar.

Deprimente.