Quarta-feira, 27 de fevereiro
Santa
Maria
Hoje faz um mês da tragédia de Santa
Maria, Rio Grande do Sul, em que 240 pessoas, praticamente todos jovens,
perderam a vida num incêndio na Boate Kiss. A data foi marcada por várias
manifestações na cidade, inclusive com “um minuto de barulho” para homenagear
os jovens mortos. Bem ora eu tenha dito, lá atrás (27 de janeiro, sob o título
Tragédia III), que o melhor consolo para o dor seria o silêncio, essa
observação, evidentemente vale para os sobreviventes que passam pela dor da
perda. Para os jovens, na flor da idade e amantes de festas, comemorações e
agitação, nada melhor que o barulho. Estão certos os organizadores da
homenagem.
O que chama a atenção, entretanto, é a
conduta das autoridades sobre o caso, em todos os níveis e em todas as esferas
imagináveis. Dois donos da boate e dois integrantes do conjunto que se
apresentava na ocasião, que estão presos (os quatro), deverão responder por
crimes dolosos. Falando tecnicamente,
o dolo é a caracterização do desígnio
criminoso, o seja, o crime doloso configura a intenção expressa de matar
(De Plácido e Silva, in Vocabulário
Jurídico, Edit. Forense, 1982).
Ora, ninguém, em sã consciência, teria a
intenção expressa de matar 240 pessoas sem motivo plausível. Essa hipótese não
passaria pela mente do mais insano, cruel e sanguinário dos serial killers já produzido nesse mundo
de muitos deuses. Os donos da boate só fizeram o que fizeram (ou o que deixaram
de fazer) porque alguém deixou. E os músicos soltaram o rojão porque já estavam
acostumados; fizeram isso um monte de vezes e ninguém reclamou.
As autoridades que condenam os empresários
e os músicos (não estou querendo que não sejam condenados, mas penso que essa
não é a forma correta) deviam apontar os dedos para outras direções, inclusive
a própria. Onde está a incriminação do prefeito, do comandante dos bombeiros,
dos fiscais e da própria polícia?
O que está sendo procurado em Santa Maria não se
chama Justiça. Chama-se Vingança.
Vetos
e gavetas
Hoje deve sair a decisão do Supremo
Tribunal Federal sobre o caso dos vetos no Congresso Nacional. São mais de
3.000 vetos (três mil, sim senhor!) que estão engavetados no nosso emérito
Congresso Nacional. São projetos de lei que esbarraram no “não” da Presidência
da República, desde os tempos em que o ocupante do trono maior do Palácio do
Planalto chamava-se Fernando Henrique Cardoso. Esses vetos ficaram nas gavetas
do Congresso, não foram apreciados pelos nobres deputados e senadores em tempo
hábil e agora podem atravancar todo o trabalho parlamentar, inclusive a votação
do orçamento federal para este ano, encalhado desde o fim do ano passado. Caso
o STF decida pela necessidade de apreciação dos vetos por ordem cronológica, o
Parlamento da República ficará com um belo abacaxi nas mãos.
O ordenamento jurídico brasileiro, do qual
fazem parte os regimentos das casas legislativas, determina que um veto do
Poder Executivo deve ser apreciado em até 30 dias, caso contrário nenhuma outra
matéria poderá ser votada.
Mas os ilustres parlamentares auriverdes
têm outra versão para esse caso: segundo eles, depois do vetar vem o engavetar.
E ces’t fini.
Assassina
No caso do Hospital Evangélico de
Curitiba, comentado neste diário na quarta-feira passada (20.fev,
“Assassinatos”), a Polícia paranaense pôs as cartas na mesa. Tem provas mais do
que consistentes para incriminar a médica Virgínia Soares de Souza, ex-chefe da
UTI Geral do hospital. Essas provas foram colhidas por um agente policial
especial formado em enfermagem, infiltrado na equipe da médica e este conseguiu
provas robustas, como flagrantes e depoimentos de membros da equipe. Paralelamente,
os telefones da UTI do hospital e de vários médicos estavam grampeados e foram
gravadas conversas comprometedoras. Em juma das gravações a médica chega a
dizer que “estou com a cabeça tranqüila para assassinar”. Outros médicos também
foram incriminados. Todas as operações, incluindo a infiltração do agente
especial e as gravações, foram feitas com autorização judicial, pelo que não há
como refutar essas provas.
Até o advogado da médica, que até agora vinha
aparecendo constantemente em matérias da TV, sempre de dedo em riste e
vociferando contra a “arbitrariedade policial” hoje foi para a frente das
câmeras com cara de apalermado e sem dizer coisa com coisa. Sobre o papel do(s)
advogado(s) nesse tipo de ocorrência, eu tenho uma teoria. Dia desses eu conto.
Com relação à investigação: um belo tento
para a Polícia Civil do Paraná!

Nenhum comentário:
Postar um comentário