terça-feira, 5 de março de 2013

Terça-feira, 12 de fevereiro



Carnaval
Pela TV, andei vendo alguns desfiles dos corsos carnavalescos no Rio de Janeiro e em Zambaulo.
Quanto dinheiro gasto nisso tudo!!! Sempre é bom lembrar que o nosso povo é pobre!
Quem me vê dizendo isso pensa que eu nunca tinha visto um desfile de carnaval antes. Pois vi, sim, e muitos. Na minha infância, meus pais me levavam para assistir aos desfiles na rua, em Curitiba (sei que lá o carnaval sempre foi bem mixuruca, chamado de “carnaval dos polacos” – teve gente que sugeriu a extinção completa do carnaval curitibano, o que, bem pensado, não seria uma má ideia), mas, logo que tive contato com a televisão, lá pela segunda parte dos anos 60, vi os corsos pela chamada “telinha”. Com mais chuviscos que imagem, no início, em preto-e-branco, mas dava pra ver. Minha mãe era uma entusiasta. Passava a noite inteira grudada na TV.
Com certa autoridade posso dizer que, a cada ano que passa, a opulência fica maior. E o dinheiro investido também, por óbvio. São verdadeiras fortunas enterradas em fantasias, adereços, alegorias, figurinos, carros, luzes, som e toda a parafernália que compõe os grupos carnavalescos que desfilam. Sem contar com a estrutura “oficial” que precisa ser montada. Pelo poder público, evidentemente. No caso do Rio de Janeiro é certo que haja uma compensação em termos de turismo; em Salvador também, possivelmente, ou mesmo no Recife. Mas a mesma coisa não pode ser dita de outras cidades, inclusive da Capital paulista.
É muita coisa gasta em futilidades. E não é só no (ou com o) carnaval. Há muitas fortunas envolvidas em atividades perfeitamente dispensáveis. Ganhos de cantores e de atores de cinema e de televisão, de jogadores de futebol e de outros esportes constituem verdadeiras afrontas ao cidadão honesto e trabalhador que rala diariamente oito horas de labuta e ainda enfrenta uma exaustiva maratona para ir e voltar entre casa e trabalho.
Posso parecer “careta”, como dizem por aí. Mas ninguém pode negar a realidade. Sei que o lúdico é importante para o ser humano, que a vida não é feita só de trabalho, afinal, o objetivo maior da vida é a busca da felicidade. E isso implica, necessariamente, na fruição do lúdico, das diversões que confortam o espírito e alegram a alma. Mas tudo precisa de um limite, ou, dito de outra forma, de uma racionalidade. Deve haver – e há! – formas mais econômicas de se divertir – provavelmente até mais saudáveis.
Os fatos e o comentário não se referem somente ao nosso Brasil. Trata-se de uma ferida universal. Está passando da hora de a humanidade rever os seus valores.
Quadrilheiros
Vejo hoje os horripilantes resultados de um levantamento feito por um instituto de ordem política: os presidentes de um terço das Assembleias Legislativas estaduais brasileiras, recentemente eleitos por seus pares, são políticos com graves acusações de ilicitudes, quase sempre de ordem econômico-financeira. Muitos deles já condenados em primeira instância.
É a síndrome do quadrilheiro, comentada em 1º de fevereiro, que se alastra pelo universo político país afora.
Nosso Brasil tem jeito? Consulte o horóscopo chinês.

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