Carnaval
Pela TV,
andei vendo alguns desfiles dos corsos carnavalescos no Rio de Janeiro e em
Zambaulo.
Quanto
dinheiro gasto nisso tudo!!! Sempre é bom lembrar que o nosso povo é pobre!
Quem me
vê dizendo isso pensa que eu nunca tinha visto um desfile de carnaval antes.
Pois vi, sim, e muitos. Na minha infância, meus pais me levavam para assistir
aos desfiles na rua, em Curitiba (sei que lá o carnaval sempre foi bem
mixuruca, chamado de “carnaval dos polacos” – teve gente que sugeriu a extinção
completa do carnaval curitibano, o que, bem pensado, não seria uma má ideia),
mas, logo que tive contato com a televisão, lá pela segunda parte dos anos 60,
vi os corsos pela chamada “telinha”. Com mais chuviscos que imagem, no início,
em preto-e-branco, mas dava pra ver. Minha mãe era uma entusiasta. Passava a
noite inteira grudada na TV.
Com
certa autoridade posso dizer que, a cada ano que passa, a opulência fica maior.
E o dinheiro investido também, por óbvio. São verdadeiras fortunas enterradas
em fantasias, adereços, alegorias, figurinos, carros, luzes, som e toda a
parafernália que compõe os grupos carnavalescos que desfilam. Sem contar com a
estrutura “oficial” que precisa ser montada. Pelo poder público, evidentemente.
No caso do Rio de Janeiro é certo que haja uma compensação em termos de
turismo; em Salvador também, possivelmente, ou mesmo no Recife. Mas a mesma
coisa não pode ser dita de outras cidades, inclusive da Capital paulista.
É muita
coisa gasta em futilidades. E não é só no (ou com o) carnaval. Há muitas
fortunas envolvidas em atividades perfeitamente dispensáveis. Ganhos de
cantores e de atores de cinema e de televisão, de jogadores de futebol e de
outros esportes constituem verdadeiras afrontas ao cidadão honesto e
trabalhador que rala diariamente oito horas de labuta e ainda enfrenta uma exaustiva
maratona para ir e voltar entre casa e trabalho.
Posso
parecer “careta”, como dizem por aí. Mas ninguém pode negar a realidade. Sei
que o lúdico é importante para o ser humano, que a vida não é feita só de
trabalho, afinal, o objetivo maior da vida é a busca da felicidade. E isso
implica, necessariamente, na fruição do lúdico, das diversões que confortam o
espírito e alegram a alma. Mas tudo precisa de um limite, ou, dito de outra
forma, de uma racionalidade. Deve haver – e há! – formas mais econômicas de se
divertir – provavelmente até mais saudáveis.
Os fatos
e o comentário não se referem somente ao nosso Brasil. Trata-se de uma ferida
universal. Está passando da hora de a humanidade rever os seus valores.
Quadrilheiros
Vejo
hoje os horripilantes resultados de um levantamento feito por um instituto de
ordem política: os presidentes de um terço das Assembleias Legislativas
estaduais brasileiras, recentemente eleitos por seus pares, são políticos com
graves acusações de ilicitudes, quase sempre de ordem econômico-financeira.
Muitos deles já condenados em primeira instância.
É a síndrome do quadrilheiro, comentada em 1º
de fevereiro, que se alastra pelo universo político país afora.
Nosso Brasil tem
jeito? Consulte o horóscopo chinês.

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