domingo, 10 de março de 2013

Chorões - a culpa

Quinta-feira, 28 de fevereiro
Chorões
Finalmente a Câmara dos Deputados toma uma iniciativa em consonância com os interesses do povo brasileiro. Numa decisão histórica, a maioria absoluta dos parlamentares votou pelo fim dos indecentes 14º e 15º salários, que vinham recebendo a título de auxílio para custear despesas de moradia. Esse “benefício” já vinha sendo pago aos deputados há mais de cinquenta anos e, nos últimos tempos, passou a sofrer forte oposição da população através da “grande imprensa”, a ponto de provocar a desistência expressa de seu recebimento por alguns parlamentares mais conscientes.
Mas a medida não podia passar sem consequências. Vários deputados lamentaram o corte, ou seja, vários deputados vieram a público manifestar o inconformismo, porque apenas lamentar, no fundo, no fundo. . . certamente a grande maioria lamentou.
O deputado Chiquinho Escórcio (foto), do PMDB do Maranhão reclamou que agora não tem mais condições de pagar caixões de defunto, mandar aviar receitas médicas e nem pagar passagens intermunicipais para os seus eleitores, escancarando descaradamente a prática do clientelismo, a compra de votos para se garantir nos cargos eletivos. Outro dos que deu a cara na TV explicou que seriam muito altos os descontos, a ponto de sua folha de pagamentos apresentar um saldo líquido de apenas uns 15 ou 16 mil por mês, do saldo bruto de mais de 26 mil reais.
Tadinhos! Certamente alguém vai promover uma campanha na internet conclamando o bravo povo brasileiro, sempre pronto para ajudar a quem precisa, no sentido de depositar um adjutório na conta bancária dos nossos pobres parlamentares. Ou será que eles não merecem? Eu me proponho a participar. O deficiente da esquina, que quase todo dia me leva um real, agora também vai receber menos. Vou destinar o dízimo aos senhores parlamentares. Deixa ver: um real por dia vezes 30 dias, igual a 30 reais por mês. Dez por cento disso (não é essa a taxa do dízimo?) dá três reais. Vou mandá-los para os deputados, um por vez (e por mês) que ninguém é de ouro. O primeiro deverá ser o Chiquinho Escorcio, para que ele possa continuar comprando caixões de defunto. Se todos os brasileiros fizerem isso certamente a funerária da cidade dele não vai quebrar.
A culpa
Inconformado por não ter sido convocado para o conclave que escolherá o novo Papa a partir da semana que vem, o ex-presidente Lula discursou na festa do 30º aniversário da CUT, a Central Única dos Trabalhadores, braço sindical do Partido dos Trabalhadores, fundado por ele.
Em certo trecho de sua fala, Lula disse que ". . . estou lendo o livro do Lincoln e fiquei impressionado como a imprensa batia no Lincoln, em 1860, igualzinho bate em mim. E o coitado nem tinha computador.”
Pois então! A imprensa deve mesmo ser a grande culpada pelo fato do Lula não ter sido convidado pelo Vaticano.

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