Quinta-feira, 28 de fevereiro
Chorões
Finalmente a Câmara dos Deputados toma uma
iniciativa em consonância com os interesses do povo brasileiro. Numa decisão
histórica, a maioria absoluta dos parlamentares votou pelo fim dos indecentes
14º e 15º salários, que vinham recebendo a título de auxílio para custear
despesas de moradia. Esse “benefício” já vinha sendo pago aos deputados há mais
de cinquenta anos e, nos últimos tempos, passou a sofrer forte oposição da
população através da “grande imprensa”, a ponto de provocar a desistência
expressa de seu recebimento por alguns parlamentares mais conscientes.
Mas a medida não podia passar sem
consequências. Vários deputados lamentaram o corte, ou seja, vários deputados
vieram a público manifestar o inconformismo, porque apenas lamentar, no fundo,
no fundo. . . certamente a grande maioria lamentou.
O deputado Chiquinho Escórcio (foto), do PMDB do
Maranhão reclamou que agora não tem mais condições de pagar caixões de defunto,
mandar aviar receitas médicas e nem pagar passagens intermunicipais para os
seus eleitores, escancarando descaradamente a prática do clientelismo, a compra
de votos para se garantir nos cargos eletivos. Outro dos que deu a cara na TV
explicou que seriam muito altos os descontos, a ponto de sua folha de
pagamentos apresentar um saldo líquido de apenas uns 15 ou 16 mil por mês, do
saldo bruto de mais de 26 mil reais.
Tadinhos! Certamente alguém vai
promover uma campanha na internet conclamando o bravo povo brasileiro, sempre
pronto para ajudar a quem precisa, no sentido de depositar um adjutório na
conta bancária dos nossos pobres parlamentares. Ou será que eles não merecem?
Eu me proponho a participar. O deficiente da esquina, que quase todo dia me
leva um real, agora também vai receber menos. Vou destinar o dízimo aos senhores parlamentares. Deixa
ver: um real por dia vezes 30 dias, igual a 30 reais por mês. Dez por cento
disso (não é essa a taxa do dízimo?)
dá três reais. Vou mandá-los para os deputados, um por vez (e por mês) que
ninguém é de ouro. O primeiro deverá ser o Chiquinho Escorcio, para que ele
possa continuar comprando caixões de defunto. Se todos os brasileiros fizerem
isso certamente a funerária da cidade dele não vai quebrar.
A
culpa
Inconformado por não ter sido convocado
para o conclave que escolherá o novo Papa a partir da semana que vem, o
ex-presidente Lula discursou na festa do 30º aniversário da CUT, a Central
Única dos Trabalhadores, braço sindical do Partido dos Trabalhadores, fundado
por ele.
Em certo trecho de sua fala, Lula disse
que ". . . estou lendo o livro do Lincoln e fiquei impressionado como a
imprensa batia no Lincoln, em 1860, igualzinho bate em mim. E o coitado nem tinha
computador.”
Pois então! A imprensa deve
mesmo ser a grande culpada pelo fato do Lula não ter sido convidado pelo
Vaticano.

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